Última rubrica de uma série de 16, desta 1ª fase do "Pretérito Perfeito".E já lá vai quase um ano com recordações dos melhores anos das nossas vidas.
Em "Festival da Canção" a ideia é recuperar as canções vencedoras dos primeiros 30 anos do Festival RTP da Canção, quando as famílias ainda se reuniam na sala para sorver tintim por tintim do espectáculo: intérpretes, figurinos, orquestrações, apresentadores e até as votações das capitais de distrito.
Desta vez, a publicação da rubrica não seguirá um critério aleatório mas sim cronológico, com todos os vencedores a passarem por aqui, entre 1964 e 1993.
Antonio Calvário venceu em 1964.
Rezam as crónicas que era um dos galãs da época e dono de uma voz portentosa, o que liga bem com este "Oração", algo entre um fado e uma prece ao Senhor.
Eram ainda os dias do governo ditatorial e caduco de Salazar, e da Santíssima Trindade, não a do Pai, Filho e Espírito Santo, mas a dos "3 Efes", Fado, Futebol e Fátima.
De facto, a canção poderia ter se chamado "Mouraria" ou "Golo", que para o ditador beirão seria a mesma coisa.
Mas não para os mais esclarecidos.
"Lá fora", a canção foi presenteada com 0 pontos, chegando mesmo a ser apupada em Copenhaga.
Mais sorte teve Calvário, apesar do nome.
Antes já tinha sido "Rei da Rádio" e depois a carreira prosseguiu, até ser mesmo repescado para as lides artísticas nos anos 90.
Daqui por dois anos assinalará 60 anos de carreira.
A voz, já não é a mesma, e as estranhas colorações do seu cabelo relegam-no para a categoria de "Bizarrias do Passado" e apagam os últimos resquícios de estrelato.
É a vida.
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