quarta-feira, 6 de junho de 2018

Gomes

Apesar de este não ser um dia com vontade para fazer coisas, entre elas escrever, recordamos hoje alguém muito produtivo, pelo menos quanto a marcar golos.
Fernando Gomes, o "bibota".

Este epíteto não significava que tinha uma bota que dava para os dois lados ou que tinha dois bicos, mas se escrevermos, na brincadeira, que era uma bota que "marcava golos tanto para direita como para a esquerda", se calhar era bem verdade.

Mas não, "bibota" significava que tinha conquistado duas Botas de Ouro, como melhor marcador em campeonatos europeus.

Gomes foi um goleador que gostava tanto de golos, que chegou a compará-los a orgasmos, talvez o mais famoso bitaite do bibota, biba!

Marcou quase 300 golos pelo seu F.C. Porto e ainda foi a tempo de marcar mais 31 pelo meu Sporting.
Foi um prazer imenso vê-lo de verde e branco leonino entre 1989 e 1991, porque, para além de goleador letal, era um gentleman do futebol.
Faz falta jogadores como ele, hoje em dia.

Marcou 13 golos pela Selecção Nacional.
Retirou-se em 1991, mas permanece eterno em vídeos como o que deixo aqui em baixo, em jeito de remate para golo.

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KAS

terça-feira, 22 de maio de 2018

Gelados Olá

Clássico de hoje e de sempre, os Gelados Olá lambuzaram os nossos lábios infância afora, tal como refrescam ainda hoje estes dias de derretimento das calotas polares.

Neste "Clássicos da Publicidade" de hoje, um 22 de Maio de 2018 cheio de nuvens e nada encalorado por aí além, o "PRETÉRITO PERFEITO" recorda um anúncio de 1997, e coloca ali em cima uma foto de um cartaz dos Anos 80.
Tal incoerência poderia ser imputada ao mítico Cornetto Whisky, mas esse já não existe.

São 32 segundos de um anúncio que passou na RTP, ainda sem concorrência de canais privados, com aquele refrão que ficou no ouvido (tenho que ver isto junto de um otorrinolaringologista, que é uma linda palavra com 22 letras, logo com muito potencial para encher um curriculum vitae falso e... onde é que eu ia?...)

Ah sim, aquele eterno refrão "Olá Fresquinho!" e o outro "Frutó Chocolate!" eram, a nível nacional, o grito de acasalamento vendedores Olá/clientes, mas regionalmente existiam variações mais ou menos criativas, como em Setúbal o popular Ervilha, já falecido, e o seu "já sabem que estou aqui!".

Deixei de frequentar sítios com sol a mais, água a mais, areia a mais e pessoas a mais, mas há coisas que não fazem por menos:
Ficam para sempre fresquinhas na memória, como um belo Fizz Limão.

É o caso deste divertido anúncio de 1997.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Speedy Gonzales - Pat Boone

Hoje temos um clássico com sabor a tortillas, guacamole, chili e jalapeños.
Bem regado com margueritas ao pôr do sol.
E tudo comido à pressa.

"Speedy Gonzales" é um daqueles temas que se ouvia nos primeiros discos de vinil que entraram lá em casa, pela mão dos meus pais.
Onde havia standards anglo-saxónicos, mas também o Nelson Ned ou discos com anedotas porcas e palavrões nada censurados.
Um divertido cocktail de cacofonias multiculturais com assumida falta de coerência.

Já o bom do Pat Boone manteve-se fiel a uma carreira ao gosto popular, assente sobretudo em versões de temas de sucesso, que fizeram mais sucesso ainda, como "Tutti Frutti".
Sim, eu como tutti frutti, mas isso não vem agora ao caso.

Com o tempo, Boone expandiu os seus interesses, mesmo diminuindo o tamanho do cérebro.
Foi actor, tornou-se cristão pentecostal, e um daqueles inenarráveis conservadores americanos, capaz de considerar Obama inelegível e, possivelmente, delirar hoje com Mr. Trump.

Ao contrário do que poderia se supor, com um tema chamado Speedy Gonzales em 1959, Pat Boone ainda por cá andava em 2018.
Não tem pressa de morrer.

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PISANG AMBON

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Princesas de Belém

Em dias de verde desbotado nada como recordar outros dias em tons de azul.
Como o do clube que joga ali ao lado, num dos mais belos estádios do país.
Hoje, na rubrica "O Pequeno Johnny", deste vosso blog, recorda-se Belém e as suas princesas.

Na imagem acima viajamos até aos anos 70, numa inesquecível ida a Belém, como são todos os passeios numa das mais belas zonas de Lisboa.
É claro que se fosse hoje convinha levar consigo um repelente de turistas.

Não sei se neste passeio catita de há quase 40 anos, estivemos na fila para os pastéis de nata, que nessa altura devia ser bem mais pequenina, ou se visitámos o Palácio de Belém, nessa altura ocupado por Ramalho Eanes.

O que me resta fazer, em relação à memória perdida, é comentar a foto.

Antes do mais, escreva-se que não sei quem é, nem por hoje andará aquela menina bonita que se inclina sobre o repuxo de água, como se fosse uma ninfa da fonte dos amores camonianos.
Também não sei por onde agora, e tenho pena.

O puto de boné que parece estar a chorar? 
Desconheço quem fosse.
Mas o pequenino por trás do bebedouro poderia ser o meu irmão, mas pela diferença de idades, duvido, porque o da bolinha, sou eu.

Roupa e acessórios vintage

Lembro-me muito bem daquela t-shirt meio Jogos Olímpicos, meio Guilherme Tell, lembro-me da bolinha azul saltitante e lembro-me ainda melhor daquele relógio.
Porque foi o meu primeiro relógio.

Já sabia ver as horas há algum tempo, e nada melhor do que ter ponteiros por cima de uma figura do Marco com o seu macaquinho às costas!

Recordo-me, por último, de achar aquela menina bonita, e de esperar o tempo que fosse até ela acabar de sorver, delicadamente, aquela refrescante água num dia quente.

Reparem como ensaio, com os meus lábios já então carnudos e sensuais, os mesmos trejeitos com que a menina bebe a água: é quase a origem da chamada 'duck face' das 'selfies' de hoje.

Já voltei várias vezes a Belém neste milénio.
Pelos menos duas delas com direito a tropelias de esquilos para gáudio das Princesas de hoje. 
As que contam.
As que não se esquecerão jamais, mesmo que não hajam fotografias para matar a sede.

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BOMBOCAS

terça-feira, 15 de maio de 2018

Super Pop Portugal

O pop/rock dos anos 70 e 80 é constituído por um vasto conjunto de pérolas para povos.

Fico sempre a imaginar o que acontece quando estes temas orelhudos, bem construídos, com aquele entusiasmo próprio de quem explora novos territórios, são descobertos noutras paragens.
Por exemplo, um húngaro que encontre no You Tube os "Cavalos de Corrida" dos UHF.
Não achará ele que descobriu uma pérola musical?
Mesmo que não perceba nada do que canta aquele careca guedelhudo? 

O "Super Pop Portugal" é então uma das rubricas a publicar regularmente neste blog, mas uma das que dá mais prazer explorar, editar e publicar.
Há grandes sons inesquecíveis na história do rock e do pop made in Portugal.

Uma Colecção de Luxo

A colecção de temas a relembrar no "Pretérito Perfeito" vai nos 51 itens.
Todos passarão (um pássaro grande) por aqui comentados com humor, com aquilo que nele faz mais cócegas na minha memória, e com o respectivo vídeo surripiado ao You Tube, e susceptível de ser eliminado mais tarde em nome dos direitos autorais, mas enquanto isso...

Enquanto isso, temos Heróis do Mar, UHF, Xutos & Pontapés, GNR, Táxi, Rádio Macau, Sétima Legião, entre outros, e até Peace Makers, Doce, José Cid ou o mais antigo Conjunto Académico João Paulo, de que não fiz parte, infelizmente.

Olhem, por falar em advérbios, fica desde já prometido que no próximo "Super Pop Portugal" vamos recordar o "Efectivamente" dos GNR.
Mas não será para breve.
Efectivamente, com tantas rubricas e tantas memórias a publicar, deverá ser lá para Junho.

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REFRIGERANTE FRUTO REAL, anos 70 e 80


segunda-feira, 14 de maio de 2018

O Barco do Amor

Após um fim de semana de Eurovisão em Portugal, com o conceito "All Aboard", embarquemos todos numa viagem nostálgica até aos Anos 80 para recordar esta série.
Entenda como normal a presença a bordo de dezenas de doidinhos com bandeiras arco-íris a esvoaçar, e cacarejantes imitações de galinhas gordas.
Não houve tempo para fazer triagem.

"O Barco do Amor" era uma daquelas séries levezinhas que se seguiam com agrado no início da matiné, ajudando à digestão do almoço, na maior parte das vezes mais felizes, um belo bife com batatas fritas e ovo estrelado.

Em pouco mais de 50 minutos, sempre em tom de comédia romântica, desfilavam quatro histórias independentes entre si: novas paixões para a vida, reatamentos, desavenças familiares acalmadas pelas ondas, e até alguns casos de crimes a bordo que acabavam sempre bem com um "gostámos muito, até à próxima".

Havia sempre aquele casal com quem eu mais simpatizava, ou a história que eu gostava mais, e era irritante passar longos minutos com as outras situações até se focarem, de novo, no que me interessava.

Para além do belo "Pacific Princess" a cruzar oceanos e a lançar a âncora nos mais belos portos do planeta (antes de virem aos magotes para Alcântara), a série vivia muito do carisma das cinco personagens que constituíam a tripulação.

A Tripulação do Pacific Princess

De todos, preferia a bela "Julie McCoy" (a actriz Lauren Tewes, então a caminho dos 30 anos, agora uma simpática gordinha com 64) e nem adianta explicar porquê, mas diga-se que eu estava a entrar na adolescência...

Tinha também bastante simpatia pelo brincalhão "Gopher" e ficava fascinado pelo jeito que o Comandante "Merrill" e o "Dr. Adam 'Doc' Bricker" tinham para conquistar mulheres, dando razão à máxima marinheira "um amor em cada porto" e ao dito popular "é dos carecas que elas gostam mais".
Juntando o inexplicável charme do "René" do "Allo, Allo", e vendo que seria, um dia, careca como o meu pai, tudo isso enchia-me de esperança.
A calvície veio; do harém com odaliscas, só a miragem.

Falta juntar o bem disposto "Isaac", o barman que tinha sempre palavras sábias para amenizar os problemas emocionais mais bicudos ou cocktails para o mesmo efeito.

Diga-se que continuam todos vivos e em terra firme.
Já o Pacific Princess foi desmantelado em 2013...
Mas volta a navegar na nossa memória já a seguir.
É só clicar ali em baixo.

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"A MENINA DA RÁDIO" - 1944

quinta-feira, 10 de maio de 2018

ANOS 80 : The Sun Always Shines On Tv*

* (O Sol Brilha Sempre na TV. Também tema dos noruegueses A-ha em 1985)

Bem vindos sejam de novo aos melhores anos das nossas vidas.
Àquilo que recordamos com saudade, que não nos envergonha, ao Pretérito Perfeito.

Ao tempo do algodão doce que se pegava aos dedos, ao futebol ou às escondidas na rua, até nos chamarem para jantar, aos dias de praia ainda sem declarar morte ao sol, às 50 revistas Disney que nos tinham emprestado e que tínhamos em monte para ler, aos toques na campainha para desatar a correr, às pistolas de água, ao pão molhado em gemadas de amarelo que era a nossa cor preferida, antes de ter sido a primeira cor assassinada por bulling cromático.

Bem vindos ao tempo do Suchard Express ao lanche, aos berlindes de 27 tipos diferentes, ao cubo mágico, ao cinema com o Indiana Jones, o Bruce Lee ou o E.T.
Ao circo, ao parque infantil com uma relíquia de avião, aos clubes de amigos em sedes como casas de tijolos ou em cima das árvores. 

E bem vindos ao abraço fraterno à nossa primeira grande amiga a sério, a televisão.

Naquele tempo, sem computadores, sem telemóveis, sem internet, e sem tantas dioptrias, acumulávamos milhas televisivas esparramados no sofá.

Gostávamos de tudo e ainda hoje a dúvida permanece:

Era porque só havia dois canais, ou porque o que era transmitido era mesmo bom?
Fizesse chuva ou frio, houvesse coisas partidas e sermões ou notas de testes negativos, sarampo ou varicela, parecia que o sol brilhava sempre na tv.

Daí a minha singela homenagem à caixa que mudou o mundo, nestes quatro primeiros textos no regresso do Pretérito Perfeito.

Espreitem o que já foi escrito na coluna da esquerda, tornem-se seguidores, divulguem o blog.
É feito com carinho só para vocês.
Bem, e é feito para mim também.

A partir de dia 14, há postagens diárias.
Por agora veja aí em baixo o sol voltar a brilhar na tv.

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CARTAZ DE GELADOS OLÁ - INÍCIO DOS ANOS 80

Amigos Coloridos

Se houve imagens que ganharam vida com a chegada da cor às nossas televisões, essas foram as dos desenhos animados.
Vá lá, o futebol também.
É sempre bonito quando vemos a relva passar de um cinza desbotado a um verde viçoso.

E então, os desenhos animados da nossa infância ganharam cor, quando já íamos a caminho da adolescência.
A melhor fase da vida para ter amigos coloridos.

Inesquecíveis tantos e tão bons tesourinhos da animação servidos pelas manhãs dos nossos imberbes anos.

O "Dartacão", "A Abelha Maia", o "Marco", a "Ana dos Cabelos Ruivos" e mais uns quantos, num total de sete, já foram publicados no blog. É olhar ali para a coluna da esquerda e clicar no marcador "Desenhos Animados".

Mas haverá mais, olhem este:
"O Meu Pequeno Pónei", uma mistura de manifesto gay com liberalizem os psicotrópicos, que deu muito que falar e... pentear.
Havia uns cavalinhos miniatura, nome científico "pónei", que tinham uma belas crinas para escovar e escovas a condizer, ai mulher, aham... hum... 
Já passou.

Este já apanhou os anos 90:
"He-Man e os Masters do Universo" não era nem sobre torneios de ténis estelares, nem sobre a dieta de Brad Pitt à base de anabolizantes e suplementos vitamínicos.
Era uma abordagem ao Universo Marvel, antes das mil e umas aventuras que inundaram os cinemas dos nossos dias.
Havia o mau, chamado Skeletor e um castelo (de Grayskull) que fez as delícias da pequenada e do merchandising.
Houve um castelo desses aqui em casa.

Mas ninguém batia os clássicos.
Aqui vai uma série deles todos misturados para ver se consegue dar o nome certo à foto certa.
Considerem um passatempo gratuito, cortesia deste vosso blog fantástico (e modesto).




São 28 grandes desenhos animados em arquivo, à espera de ser recordados.
Porque tudo começou com estes amigos coloridos.

Fiquem com a abertura do "Bana e Flapi".
Da altura em que só tínhamos dois esquilos a mais.

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SABONETE FENO DE PORTUGAL

Eu Ti Amava, Brasiu!

Tudo começou com a "Gabriela" num Portugal livre da moral amarrada ao homem de Santa Comba Dão.

Foi o primeiro assomo de sensualidade made in Brasil exportado em modo novela, com tramas quentes que davam voltas e reviravoltas durante meses a fio, com hordas de fãs sentados no sofá.
Que estórias eram aquelas que os nossos pais seguiam?
E começámos a ver também.

Tenho uma primeira selecção de 30 novelas para recordar.
As mais marcantes, como a "Tieta" ali em cima.
Para além dos GNR nunca ninguém tinha vendido o afrodisíaco das dunas tão bem.

Recordaremos mais enredos de português açucarado como "Baila Comigo".
Sim, é a Betty Faria outra vez, numa espécie de "Fama" dos trópicos. 
Uma novela que fez muito sucesso em Portugal lá para 1881, 1982.

Eternamente relembrada como a mais bem humorada novela brasileira de sempre, "Guerra dos Sexos" fará parte desta secção/rubrica do blog, "Novelas do Brasil".

Tal como o manifesto ecológico de "Pantanal", o sobrenatural de "A Viagem", o quente balanço de "Tropicaliente", entre outras.


                                             
       

 
E claro, "O Bem Amado", o grande, grande, grande "Roque Santeiro", e tantas outras.

Centenas de romances dentro de dezenas de novelas quando ainda era exótico ouvir português com sotaque do Brasil.
Isto foi antes dos dentistas, dos barbeiros e tatuadores, e antes daquele defesa lateral esquerdo que jogou no seu clube, que afinal não jogava nada.

Nós jogamos com o baralho todo aqui no blog, baralhamos as novelas do Brasil e voltamos a dar, em formato homicida de saudades.
Volto ao princípio e a "Tieta", para acabar com... a abertura.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Séries em Série



Crescemos.
Continuavam a ser dois canais.
Mas como já sabíamos ler e as novelas do Brasil já não nos chegavam, e a fase dos desenhos animados já tinha passado, voltámo-nos para as séries.
Séries a sério e em série.

Na primeira vida do blog só escrevi sobre duas: 
"Dallas" e "Sete Noivas Para Sete Irmãos" que abriu a rubrica "Séries Inesquecíveis".
Vêm por aí muitas mais.

Lembra-se do "Barco do Amor"?
       
Romances levezinhos embalados pelas ondas, a bordo de um cruzeiro com uma tripulação bem maluca, que proporcionava uma viagem de uns 50 minutos que passavam a correr.

"Knight Rider - O Justiceiro", em Espanha com o ridículo nome "El Coche Fantástico", tinha um carro preto que falava e combatia o crime.
Pode vê-lo por estes dias na RTP Memória e confirmar que o Pontiac tinha mais talento para a representação do que o canastrão do Michael Hasselhoff.

E a fantástica "V - A Batalha Final"?
                                                            
Estávamos no final dos Anos 80, e os lagartos invadiram a Terra. 
No entanto o Sporting só voltaria a ser campeão no Ano 2.000.

Serão relembradas mais séries de serão.
"Os Três Duques", "Os Soldados da Fortuna", o mítico "Verão Azul", que permanece há mais de 10 anos como o meu toque de telemóvel, "O Homem da Atlântida"...
Epa, lembram-se do "Homem da Atlântida"?
Não o gajo de bigode da seguradora, mas sim Patrick Duffy himself.

                                                     
Aqui está ele como peixe na água.
Se bem se recordam, ele tinha membranas e tudo, e durante 13 semanas fez as delícias das peixeiras do Bolhão, que se babavam em frente aos televisores e gritavam "eh, carapau!"

Havia também séries policiais para todos os gostos e de todas as proveniências, da italiana "O Polvo" à americana "A Balada de Hill Street" que fez as delícias de muita gente, que se sentava no sofá ao serão e ouviam no briefing as tarefas do dia, que terminavam sempre com o sargento a recomendar "tenham cuidado lá fora".
                                                   

Estão elencadas 44 séries.
Todas impregnadas de nostalgia.
Todas inesquecíveis.
Fiquem com a abertura de uma das que mais gostava.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Transfer

Na casa da avó Catarina, onde nasci e passei a infância, não havia jogos electrónicos, computadores, internet ou telemóveis, porque tudo isso era ainda ficção científica no final dos Anos 70, início dos Anos 80.
Mas nunca me aborrecia.

Para começar, e pondo a modéstia numa das gavetas aqui de baixo, fui dotado de imaginação para inventar entretenimento para benefício próprio.
E depois, porque a determinada altura, os meus tios Afonso e Cristina, que tinham sete ou oito anos a mais, faziam chegar a casa revistas Disney novinhas em folha e, com elas, muitos dos tesourinhos fascinantes que eram aí anunciados.

Foi o caso deste Transfer.

Também conhecido como Kalkitos, comprava-se nos quiosques e papelarias em forma de kit:
Uma folha com os decalques, um poster onde podíamos colocar as figurinhas onde bem entendêssemos e um lápis para riscar as figuras da folha de decalque; e então o passe de mágica que permitia o escarrapachanço no poster, ou mesmo nos cadernos da escola.

Os temas da bonecada eram variados:
Havia oeste selvagem, fundo do mar, figuras da bd, pré-história e cenas de jantares em monumentos nacionais... ah, não... esta é uma brincadeira recente.

Quem tiver saudades deste Transfer ponha o dedo no ar.
Melhor, transfira dinheiro para a minha conta.

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O LOBIJOVEM (1985)

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Marco

Quando se fala de recordações televisivas e do Marco, há três personagens que vêm logo à memória:
O Marco que tinha um macaquinho às costas; o Marco que tinha caracóis no alto da cabeça; e o Marco que tinha um pé para pontapear a Sónia.
Aqui recorda-se o Marco que tinha um macaquinho nas costas.

Criado em 1976, este Marco fez chorar miúdos, graúdos e as pedrinhas da calçada enquanto procurava a mãe, numa epopeia que o levava da Itália à Argentina, daí o subtítulo "Dos Alpes aos Apeninos".

O Marco estreou em Portugal a 22 de Maio de 1977, um dia depois de eu completar os seis aninhos.
Foi um sucesso em Portugal.
Refiro-me ao Marco.
A minha festa dos seis anos não foi assim tão comentada.

Ah, quanto ao macaquinho, que na série de animação chama-se Dominó...diga-se que quando era mais pequeno tinha o hábito de colar macacos debaixo dos tampos das mesas.
Eu sei que parece nojento, mas pô-los às costas ainda parece pior.

Do mal o menos: a série japonesa não acompanha o Marco pela adolescência fora, daí que possamos garantir às associações defensoras dos direitos dos animais, que o Marco não chega a espancar o macaco.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Endless Road - Time Bandits

Uma das mais bonitas dos Anos 80, que jamais será um sucesso muito esquecido, por causa do seu som contagiante cheio de sintetizadores e do videoclip com a mítica cena de um tipo a fazer de um cacho de bananas um xilofone.

1985.
O ano mais pop dos Anos 80.
Os Time Bandits, rapazes holandeses, gravam este autêntico one hit wonder (ganha um Magnum de framboesa quem conseguir dizer o nome de outra boa música deles) e aqui o escriba nostálgico, com 14, 15 anos, deleita-se a cantarolar o tema ou apenas a ver as imagens naqueles tops de fim de semana ou no "Countdown" de Adam Curry.

O célebre videoclip foi gravado na Austrália por cameramens cangurus (não confirmado) e estaá repleto de imagens de sol, surf, cidades malucas e sintetizadores espatafúrdios.
Para além da actuação da banda ao vivo.
(Uma expressão parva... haverá actuações "ao morto"? Talvez no "Walking Dead"...)

O xilofone bananesco está ali em baixo, no vídeo, a partir dos 01:51.
Recordem, divirtam-se que eu vou ali lanchar qualquer coisa que isto das bananas deixou-me com fome.

terça-feira, 7 de março de 2017

Os Pequenos Grandes Impérios

Quando éramos putos não era assim tão importante quem tinha os pais mais ricos, o carro maior ou a casa com mais pinta de castelo, porque partilhávamos tudo.
Mas um dos itens que contavam, pelo menos para mim, era saber quem tinha a maior e melhor colecção de banda desenhada Disney.
Eram os pequenos grandes impérios.

Começando lá pela minha rua, paramos primeiro na casa do Quim Paulo (o que é feito deste?), cuja mãe trabalhava na padaria que é agora palco da berraria da Igreja Universal.
Pois o Quim Paulo tinha uma colecção mediana, talvez parecida com a minha, e num certo dia trocámos tudo e voltámos a trocar sem grandes perdas no processo.

O Nelson tinha uma colecção onde pontificavam algumas relíquias como o famoso "Pato Donald nº 1500", edição especial que tinha aquela fabulosa história "O Segredo do Castelo" - lembras-te, Nelson?
Parte da colecção do Nelson ficava na marquise dele,  que dava passagem para o pátio/garagens e isso, só por si, era fascinante na altura.

Colecções Invejadas

Havia ainda a colecção do Rui Pedro, do Zé Cordas, do Sertório (50% da Marvel) ou a do Carocha, mas há que relembrar três grandes acervos, verdadeiros pequenos grandes impérios, dois deles alvos de tentativas de assalto, mas, de facto, não tenho sangue frio para uma carreira de ladrão ao mais alto nível.

Uma dessas grandes colecções era a do Samuel.
Dezenas e dezenas de revistas que ficavam sozinhas, aparentemente vulneráveis à minha cobiça/doença, numa velha casa de alma e arcadas caramelas, ali por cima do que era o café Beira Gare.
O facto é que nunca consegui lá entrar.

Salto até Setúbal.
Os filhos do Sr. António, chefe da minha mãe na extinta Control Data, também guardavam no quarto um espólio interessante: centenas de revistas Disney, muitas delas das mais caras, para além de colecções encadernadas e tudo o mais.
O poder de compra era evidente, porque não falhavam uma edição que fosse, dos "fininhos" "Pato Donald", "Pateta" ou "Zé Carioca" aos "Disney Especiais".

Mas a mais interessantes das colecções era a do tio Beto.
Pela dimensão, qualidade, boa conservação e, sobretudo, pelo lugar onde ele a escondia, entre revistas mais adultas que iam do erótico aos motores, passando por outro tipo de banda desenhada que não apenas Disney.
E que lugar era esse?
Debaixo da cama (redonda?) num quarto meio escuro, meio psicadélico, com uma cortina que separava a divisão da cozinha, fazendo com que tudo parecesse digno de um filme com passagens secretas.
Tantas vezes rondei aquela porta, com vontade de ler aquilo tudo, antes de ser chamado para o almoço, ou antes de ir embora!

Felizmente existe algo chamado "Síndrome de Peter Pan".
Tantos anos depois resgatei parte desse fascínio pelos pequenos grandes impérios, comprando velhos exemplares em feirinhas e afins.
E hoje tenho mais de 300 revistas que, sinais dos tempos, ninguém cobiça.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Detergente OMO

Nos anos do preto e branco, o detergente que saía mais vezes do armário era assumidamente OMO.
Sem qualquer tipo de preconceito era OMO e também racista:
Quanto mais branco melhor.

A marca tem mais de 100 anos e continua a haver OMO's por todo o mundo, não é só na TVI, na Moda Lisboa ou nas revistas que o Elton John esconde debaixo da cama.

Por exemplo, no Brasil há OMO por todo o lado, o que dificultou a selecção de um anúncio português entre os que estão armazenados no You Tube.

Escolhi este, de apenas 23 segundos, pelo delicioso pormenor da oferta de uma meia grátis em cada embalagem de OMO Super.

Uma meia apenas.
O que era natural, porque, naqueles tempos, a mulher que descobria de repente OMO, ficava por assim dizer, meio descalça.

Mas nos dias de hoje já ninguém estranha.
Há por aí um arsenal de kits de limpeza, desde detergentes líquidos ou até em cápsula, os que combatem o tártaro, perdão, o calcário, não esquecendo os amaciadores com todos os odores da natureza.
Mariquices.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Dallas

Parece mentira mas já não publicava aqui um velho conteúdo novo desde Maio.
Parece mentira mas este é apenas o segundo texto sobre uma série de televisão.
Parece 01 de Abril mas estamos a 02 de Janeiro.

Ora vamos lá a "Dallas".
( e recebê-las porque o Natal foi há pouco tempo.)

Esta foi a série que marcou a década de 80.
Girava à volta de negócios como a exploração de petróleo e a criação de gado, e o mesmo em relação a personagens: homens viscosos e grandes vacas.

Em pleno Texas, duas famílias em confronto.
Os famosos Ewing e os menos conhecidos Barnes.

Bobby morde na canela de Pamela e a partir daqui ficou tudo estragado.
Ele é um Ewing (interpretação de Patrick Duffy) e ela uma Barnes (a bela Victoria Principal); a velha intriga do clássico "Romeu e Julieta" ou do quase clássico "West Side Story", entre muitos outros.

J.R., um Granda Porco

Pelo meio, como grande símbolo da série, o pérfido, cínico, canalha e outros adjectivos mimosos, "J.R" (em Portugal "jota-erre" ou ainda mais comum "jê-erre"), papel da vida de um Larry Hagman que foi sem dúvida, um dos actores que mais encheram os bolsos na década de 80.

Para além do ódio ao irmão "Bobby", "J.R." terá mais tarde que lidar com a traição da própria mulher "Sue Ellen" ( a tal que se enfrascava logo de manhã), que também se enrola com um Barnes.

A menos que esteja a fazer confusão, o que é natural.
Nesta série quase todos foram para a cama com todos.
E não era para dormir.

Em Portugal, "Dallas" animou os serões de sábado à noite na RTP 1, a partir de 1979 ou 1981.

Lembro-me que no Parque de Campismo da Praia Verde, Algarve, juntavam-se várias pessoas à frente de um televisor a cores, colocado numa área aberta, sem tendas, fazendo do espaço um cineminha ao ar livre.

Às vezes lá apareciam cenas mais ousadas e a plateia, meio envergonhada, Portugal ainda a desabrochar meia dúzia de anos pós-25 de Abril, desviava a atenção do televisor e comentava o dia de praia e o tempo para o dia seguinte, sempre com um olho no ecran, ou não fosse a Pamela ser mordida outra vez pelo Bobby e não houvesse depois ninguém para contar como foi.

domingo, 2 de outubro de 2016

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Quando Era Novo Num Pinhal do Pinhal Novo

E regressamos de novo ao passado para um belo piquenique no pinhal.
Daqueles que têm frango ou sardinhas a assar, garrafões de vinhaça, futebolada e, no caso, pinhões de nostalgia, caídos aqui e ali, como lágrimas negras.
Chuif, chuif...

O tempo nesta sexta-feira 13 de Maio não está para milagres.
Ainda chove de vez em quando e venta.
Nas ventas.
Por isso dói-me a garganta há dois dias e peço desde já desculpa se o humor andar ausente.

Mas nesta manhã (ou tarde) de Primavera (ou Verão) de 1976 (ou 77, ou 78), fazia sol, como se pode ver pela luz que ilumina a caruma deste pinhal, no Pinhal Novo.

E éramos novos.
Eu e o Zé Cordas, a criancinha à esquerda.
Eu sou a criancinha à direita, que não às direitas, porque sou assumidamente fã da geringonça.

Por falar nisso, a geringonça de borracha que está ao meio é uma bola de gratas recordações.
Tantos e tantos derbies entre primos foram jogados.
Eram já Sportings x Benficas (mais tarde Itálias x Bélgicas e um dia explico porquê) com arte leonina e sorte lampiânica.
Tantos e tantos jogos perdidos por um, da forma mais absurda possível, como que se logo ali ficasse decretado por uma bola de borracha vermelha e branca (e não por uma de cristal), quem iria ter sempre mais sorte e quem teria sempre mais azar pela vida fora.

Obviamente que esta teoria simplista e superticiosa não explica tudo, mas aposto 100 euros e um seis pinhões como, neste preciso momento, não lhe dói a garganta como a minha me dói!! 
Humpf!

Aranhas Assassinas

Não tenho a certeza se foi desta vez, neste pinhal, que tive o mais horrendo encontro imediato com... um insecto.
Mas não um insecto qualquer, era daqueles que meninas como eu têm medo: aranhas.

No caso, uma aranha quase do tamanho daquela bola de futebol.

Jogava-se à apanhada.
Velocidade furiosa.
Parecia que, em vez de ser eu a correr que nem um maluco, eram pinheiros voadores que rasavam a minha cabeça.
Tropeços.
Mais velocidade.
E de repente, uma travagem brusca.

A centímetros da minha cara polvilhada de sardas, uma gigantesca teia de aranha, tecida com labor entre dois pinheiros, e, no centro da teia, a maior aranha e também a mais repugnante que vi até hoje.
E olhem que eu já desci o Amazonas com tarântulas que vinham comer à minha mão como cachorros.
Ou então não.

Mas ficaram com a ideia do tamanho do bicho.
Tenham medo, muito medo!

quarta-feira, 20 de abril de 2016

A Próxima Vítima

Tinha pensado começar este texto com a clássica pergunta "Quem Matou Odete Roitman?", até que a internet colocou a memória em ordem, relacionando essa questão à novela "Vale Tudo".

Assim sendo, já não sei porque coloquei esta "Próxima Vítima" na lista das "Novelas do Brasil" recordadas aqui no "Pretérito Perfeito", pois dela nada me lembro.

Por paradoxal que seja, o facto de ser uma novela de Sílvio de Abreu de 1995, ao invés de uma novela de Sílvio de Abreu de 1986, faz com que me lembre desta trama tanto como recordo o que almocei no dia 10 de Agosto de 1981.

Ao que parece a trama vivia do suspense sobre qual seria a próxima personagem a bater a bota e a aligeirar a folha de pagamento de salários da Globo.

Entravam os falecidos José Wilker e Yoná Magalhães, Tony Ramos, Susana Vieira, Lima Duarte, Paulo Betti, Natália do Vale, entre outros.
Teve mais de 200 episódios e quando em 1995 passou em Portugal "A Próxima Vítima", estava eu a ver se concluía a próxima frequência de um curso que frequentava cada vez menos.

E hoje fico-me por aqui, porque estou meio xôxinho.
Mas lá diz o ditado:
"Mais vale xôxinho que mal acompanhado".