segunda-feira, 29 de junho de 2015

Under the Boardwalk - The Drifters

Era o arquétipo perfeito da sedução inata, essência sem máscara ou filtros:
T-shirt branca, cuequinha azul e nada mais.
Estava calor e ela deslizou, copo com licor cheio de cor, até à juke box.

Clicou no 10.
"Under the Boardwalk", dos The Drifters.
Um clássico.

Ok, deixemos as imagens mais ou menos apelativas, suscitadas pelo calor deste Verão sufocante, e vamos então a este tema... de Verão.

"Under the Boardwalk" esteve para ser gravada a 21 de Maio de 1964, mas desde quando o 21 de Maio deu sorte?
Um dia antes o vocalista morria com uma overdose de heroína e a gravação teve que ser adiada.
Se calhar o dia 20 é que não dá sorte...

Gravado mais tarde, o que é certo é que esta bela batida que fala de um encontro amoroso que tem lugar no "calçadão" foi um sucesso na altura.
Se não conhece a música, aqui fica ela, enquanto a menina do copo com licor cheio de cor tira a roupa para ir tomar banho...

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A QUINTA DIMENSÃO

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Uma Cena à Senna

Já lá vai uma mão cheia de anos desde que não tenho carro.
Sinto falta do Saxo, da mobilidade, da independência, dos pioneses colocados no mapa, sempre que chegávamos, juntos, mais longe.
Mas não foi o meu primeiro carro.

A minha primeira viatura era de cor vermelha, tinha quatro rodas, claro está, e era extremamente económica.
Não gastava um tostão em gasolina, gasóleo, água ou limonada, porque movia-se com a ajuda da força das minhas perninhas roliças.
Resumindo, era a pedais.

Na foto, tirada quando tinha uns quatro, cinco anos, ou seja, lá para 1975, 1976, estou num dos saudosos baldios perto da casa dos meus pais, antes do boom da construção e do progresso ter eliminado esses espaços de brincadeira que tanto eram campos de futebol, como pistas de ciclismo ou de carrinhos.

Como era ( e já agora, continuo a ser, fujam!) um doidivanas ao volante e, fruto de uma pedalada frenética atingia velocidades furiosas, os meus pais não tinham outro remédio senão garantir a segurança de tão intrépido Senna.
Ainda antes do tempo do Senna.

Por isso aquele blusão capaz de resistir a uma explosão de um carro que não usava combustíveis, e aquele capacete quase do tempo da Primeira Grande Guerra, que me protegia para um eventual, absurdo e pouco provável capotamento.
Ou então era para andar à vontade debaixo das varandas dos prédios onde morava gente mais dada a discussões conjugais e subsequente arremesso de objectos.

Lembro-me que este... ann... diria que... mini pop... que é o que parece estar ali escrito, tinha rodas de borracha que, em terrenos mais irregulares, saíam facilmente do bordo de ferro, mas também eram facilmente recolocáveis.

Estes eram os tempos que sucederam os dos carrinhos de rolamentos, com menos rebeldia, menos aventura, mas também menos joelhos esfolados.

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OS CINCO

Ana dos Cabelos Ruivos

Ultimamente tenho achado muita graça às ruivas.
Não que isso coloque em causa o meu eterno amor ligeiramente mais moreno, mas desde Rita Hayworth que as actrizes com cabelos de fogo incendeiam o grande ecran.

No pequeno ecran, em desenho animado, e não tendo, de todo, a maturidade e a voluptuosidade de uma Jessica Rabbit, houve uma tal de "Ana dos Cabelos Ruivos".

Foi já em 1987 que estreou em Portugal esta série de animação (preparem-se para ser surpreendidos)... japonesa.
Mais uma da Nippon Animation, esta baseada num romance da escritora canadiana Lucy Maud Montgomery.
As coisas que eu sei.

Ana é uma orfã que é adoptada por engano por dois irmãos.
É que eles queriam um rapaz.
Mas acabam por ficar com a nossa Ana.

A série tem 50 episódios e passava muitas vezes no mítico "Agora Escolha" de Vera Roquette, mas eu não ligava muito.

Aos 16 anos, preferia meninas mais crescidas e sem serem em desenho animado.
Se bem que nunca esqueci a Candy Candy.
Louríssima, em vez de ruiva.
Mas essa história fica para outra altura.

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QUEM SAI AOS SEUS

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Weekend - Earth & Fire

E então esse fim de semana?
Como é que foi?
Foram à praia? Ao centro comercial? Passaram o fim de semana no truca-truca?
Não quero saber.

Numa altura em que este blog parece ter estacionado nos anos 70, resolvi trazer aqui, a uma segunda-feira, este "Weekend", uma das mais melodiosas memórias auditivas do tempo do vinil.

Os meus pais tinham este tema numa colectânea que se chamava "Super 20", salvo erro, que à semelhança de outros discos, pouco era rodado nas aparelhagens.
Com o tempo cheguei à conclusão que sou muito mais melómano que eles, vá se lá perceber porque é que juntaram dezenas de discos...

Os holandeses Earth & Fire ( não confundir com os Earth, Wind and Fire, porque estes não têm o vento no nome, só nos moinhos lá da terra), gravaram este tema em 1979, o que leva à pergunta "o que é que faz um tema de 1979 na rubrica 'Sucessos Esquecidos dos Anos 80'"?
Bem... este tema bombou mais em Portugal nos início dos Anos 80 e... não sei se serve de justificação.

"Weekend" e os seus deliciosos sintetizadores, foi número 1 em Portugal, Holanda, Dinamarca, Alemanha, Suíça e Minas Gerais, segundo a empregada da prima de um amigo.

Tal como há quatro postagens atrás, também aqui é refrescante relembrar o quão (gosto de dizer "o quão". "O quão é o melhor amigo do homem", já diz o adágio) sexy e curvilíneas eram as vocalistas dos anos 60 e 70.
E isto sem andarem meio nuas como a Shakira e a Rihanna.
Nada contra, nada contra...

Aqui neste caso, temos a bela Jerney Kaagman e o seu coleante e cintilante "uniforme" azul, como se fosse a candidata a Miss Star Wars.

Aos 67 anos, a senhora Jerney ainda contra-ataca o lado negro da força (o tempo não perdoa, só para acrescentar mais um adágio), bastando conferir o que vai para aqui.
O que pode comprovar que dançar os ritmos do Disco faz muito mais pela boa forma que essa moda irritante do Zumba.
Mas regressemos a 1979:

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UM ANJO NA TERRA

Dona Xepa

A novela "Dona Xepa" foi uma das primeiras que vi nos tempos da minha infância e é um dos casos em que a memória não reteve um amendoim.
Mas como fez parte dos "melhores anos da nossa vida", teria que obrigatoriamente passar por aqui.

É claro que, trabalhando grande parte da minha vida em Setúbal, a expressão "Dona Xepa" não chegou a ser arquivada nas catacumbas dos vocábulos extintos, porque há lá um mercadinho com esse nome, ao que consta uma espécie de Feira da Ladra com mais contrafacção e menos glamour.
E também parece que há um restaurante Dona Xepa em Coimbra.
Mas adiante.

Novela de 1977 que chegou a Portugal em 1978 para ser exibida no horário nobre, naqueles saudosos tempos em que só se transmitia uma novela por dia, vivia do protagonismo brilhante de Yara Cortes, a "Dona Xepa", mulher pobre mas que ainda assim criou dois filhos que, mais tarde, noutra posição social, têm vergonha da mãe.
Em Portugal não faltam figuras públicas que também renegam as origens mais precárias, como se todos nós acreditássemos em berços de ouro...

Na novela entrava Rubens de Falco, um dos galãs Clooney da época, a bela Nívea Maria, Agnes Fontoura, Cláudio Cavalcanti, entre outros.
Tudo nomes que o tempo já apagou.

Fiquem então com o genérico de abertura de "Dona Xepa" e não se esqueçam que a Feira da Ladra está junto ao Panteão Nacional, em Lisboa, às terças e sábados.
Se lá forem, tragam-me um par de peúgas cor de café com leite, se fizerem o favor.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

White Rabbit - Jefferson Airplane

A minha primeira, única e possivelmente última experiência sadomaso decorreu ao som desta música.

Correu mal - o que à partida deveria ser contingência de qualquer sessão do género - e sem motivo para remorsos pelo que não foi tão bom, ou nostalgia pelo que não foi tão mau.
Mas aconteceu que, para sempre, esta música-bandeira do rock psicadélico dos anos 60, ficou para sempre associada àquela noite... ann... bizarra.

Chama-se "White Rabbit", é de 1967 e remete para mensagens mais ou menos subliminares sobre substâncias malucas, misturadas no universo de Lewis Carroll, mais especificamente a história de "Alice no País das Maravilhas".
Havendo um coelho branco, também pode pensar no Portugal a marcar Passos, intervencionado pela troika.

Já conhecia a carga mítica dos Jefferson Airplane, um dos nomes que os meus tios 10 anos mais velhos mais recorriam no momento de relembrar músicas de espirais e cornucópias, if you know what i mean.

A esta distância dos anos 60, 70, não me tem apetecido degustar com os ouvidos outras canções dos Jefferson para além desta "White Rabbit", considerada até uma das 500 melhores de sempre pela insuspeita "Rolling Stone".

Mas só para ver mais a gatinha vocalista Grace Slick, era capaz de chafurdar uma tarde inteira no You Tube à procura de mais do mesmo, de mais da mesma.
E com ela snifar noz moscada e fumar manjericão.

Se bem que a senhora vai com 75 anos...
Ficamos pelo chá e bolinhos então.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Arrábida, Bolinhas e Gigantones


No final dos anos 70, princípio dos 80, toda a gente no Pinhal Novo conhecia o Mini branco com riscas laterais pretas.

Chamava-se Bolinhas, pelo formato pequenino e arredondado, e porque a matrícula ajeitava-se à denominação.
Acrescentando a isto três 7´s seguidos, mais parecia um carro de rally que outra coisa.

O Bolinhas levou-me ao norte, ao Algarve, às beiras, ao Alentejo e, entre tantas voltas, deu umas voltas na Arrábida.

Na foto, estou sentado, com os meus pais, no capot do Bolinhas, com aquelas roupas sempre indescritíveis, num daqueles verões quentes dos anos 70, referências políticas à parte.

O mais intrigante no retrato é magicar quem o tirou, pois se estamos ali os três, não sobraria mais ninguém.

Não tendo aqui os meus pais, que de momento foram a banhos noutras paragens, resta-me deixar correr o meu débil poder de dedução:
Ora, temos a sombra do fotógrafo, ou da fotógrafa, que claramente usa calças à boca de sino... genial dedução!
E parece também que é alguém muito alto(a), não me venham falar de sombras estendidas.

Concluo que a foto foi tirada por um gigantone.

Às vezes encontrava-se um ou outro na mata da Arrábida, e se ao princípio metiam medo, pelos gritos lancinantes e pela perseguição aos carros que por ali passavam, depois que lhes dávamos amendoins, ficavam dóceis e prestáveis.

Depois passaram a reunir-se no Pinhal Novo, no FIG - Festival Internacional de Gigantes, tal como vai acontecer de novo este ano, no início de Julho.
Não me posso esquecer de levar amendoins.

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FALCON CREST



Joe le Taxi - Vanessa Paradis

Quase que aposto a minha cama, como é mais fácil encontrar cinco orangotangos azuis a comer gelados no Jardim da Estrela, do que alguém que consiga dizer duas músicas de sucesso de Vanessa Paradis.

Se for uma, toda a gente se lembrará deste "Joe le Taxi", de 1988.

Vanessa Paradis, para além de ter um nome artístico do caraças, foi uma das ninfetas mais idolatradas de França (e de todo o mundo) nos Anos 80.
E  estamos a falar de um país perito em oferecer ao mundo lolitas de sonho.

Vanessa era uma espécie de Bardot dos novos tempos, doce, fresca e muito sexy, e com um toque especial dado pela abertura entre dois dos dentes da frente, muito antes de aparecer um tal de Nuno Guerreiro.
Mas não falemos de outras cantoras.

"Joe Le Taxi" esteve várias semanas no topo do top francês e também subiu alto nos tops de outros países, o que, paradoxalmente, fez a cantora ir-se abaixo.
Dificuldade para lidar com um sucesso super instantâneo aos 14 anos.

Feitas as contas, a bela Vanessa ainda só tem 42 anos.
Ainda assim o Johnny Depp trocou-a por outra.
Este Johnny é um pirata.

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AS AVENTURAS DE BUCK ROGERS NO SEC. XXV

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Era Uma Vez o Espaço

Quem não se lembra de cantar isto?

"Lá em cima, há planícies sem fim,
Há estrelas, que parecem correr,
Há o sol e a vida a nascer, blá, blá, blá".

Sendo que este blá, blá, blá é, afinal, uma das mais bonitas canções da nossa infância.
E polémica, também.

95% das pessoas, diriam, que quem canta, é o Paulo de Carvalho.
Os mais bem informados argumentarão que é o Pedro Malagueta.
Quem?!
Pedro Malagueta.
Um injustiçado e obscuro cantor português, nascido em Angola, que participou em Festivais da Canção, gravou versões, tributos e anúncios, e tinha uma voz do caraças.

Pronto, agora que já falámos da música, vamos à série.

Animação francesa, com 26 episódios com tanto de divertido, como de informativo, foi a continuação mais ou menos lógica, para o sucesso que tinha sido "Era Uma Vez o Homem".

Menos didáctica e mais ficcional, esta série de animação trazia de volta as personagens da série anterior (como o simpático robot "Metro" ou a bela "Psi")e uma das vozes em português, como não poderia deixar de ser, era do "mestre" Canto e Castro.

Em Portugal, "Era Uma Vez no Espaço" foi emitida pela RTP em 1984.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Terra Nostra

O Parque Terra Nostra, em S. Miguel, junto às efervescentes furnas, é um dos mais belos parques que já visitei, e foi, sem dúvida, um dos grandes momentos das minhas duas viagens aos Açores.
O que é que tem isso a ver com a novela?
Nada.
Apeteceu-me.

"Terra Nostra" é o nosso primeiro conteúdo já com carimbo do ano 2000.
Mega-produção da Globo, foi transmitida em Portugal, pela SIC, a partir de Novembro de 1999, e pouco mais me lembro (até porque não a acompanhei) para além de um belo par de espessas sobrancelhas e tudo o que de mais belo ainda se mostrava daí para baixo.
Três letras:
Ana Paula Arósio.

As meninas suspiravam pelo garotão Thiago Lacerda e havia ainda António Fagundes, a também belíssima Maria Fernanda Cândido (que convencia lindamente como uma sensual italiana), Cláudia Raia, Raul Cortez e muitos outros.

A novela, de 221 episódios (tinha a sensação que tinham sido 762...), foi uma espécie de "Os Imigrantes", exibida no início dos Anos 80, com mais cor e miúdas mais bonitas.
Lembram-se de "Os Imigrantes"?
Pois, é pena, mas não estamos aqui para falar disso.

"Terra Nostra" mostrava o Brasil no final do século XIX, princípio do XX, as plantações de café, e a fornalha de imigrantes que chegaram para trabalhar nas plantações, sendo que aqui estava em destaque o grupo italiano, e abundavam expressões italianas por toda a novela.
O que, à hora de jantar, abria sempre o apetite para pizzas e cannellonis.

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NORTE E SUL

Do They Know It's Christmas? - Band Aid

Natal é quando um homem quiser.
Neste blog feito por um homem (da última vez que espreitei) o Natal é hoje.

Na rubrica "Sucessos Esquecidos dos Anos 80", chega a vez deste "Do They Know Know It's Christmas?", do colectivo Band Aid que, apesar de ter nome de penso rápido, sempre preferi à "sua concorrente" "We Are The World", dos USA For Africa.
Porquê?
Porque soava melhor aos meus sensíveis tímpanos.

Naqueles anos os artistas não se juntavam só em orgias de adolescentes e cocaína como hoje.
E se arregaçavam as mangas para injectar substâncias ilícitas nas veias, também o faziam por nobres causas, como combater a fome em África.
Embora só ensaiassem depois do almoço.

A Band Aid nasceu em 1984 e reunía nomes como George Michael ainda em versão "escondido no armário", Bono Vox, Phil Collins, Paul Young, David Bowie, Paul McCartney, Sting e muitos outros, notando-se a falta de estrelas femininas, ao contrário dos USA For África que tinham Diana Ross, Tina Turner, Cindy Lauper, entre outras.

Durante aqueles anos de autêntico "I don't care" em relação às letras das músicas pop em inglês, julgava que o refrão era qualquer coisa como " Bisa.... ó-ó...".
Foi só há alguns anos que a minha Princesa elucidou e ao mesmo tempo apagou uma bela memória melódica de infância...
Mas enfim, negar o conhecimento é burrice.

Agora sei que aquela malta cantava "Feed the world".
Muito mais bonito de se cantar.
Não tão engraçado de ouvir.

sábado, 16 de maio de 2015

Mickey - Um Ano de Saudade

Quase que me lembro de ter prometido em escrita de sangue, que este "Pretérito Perfeito" faria jus ao verbo e ao adjectivo, aqui só se recordariam boas memórias e a saudade seria sempre maquilhada com pó de humor.
Mas não poderia deixar passar esta data.

Faz hoje um ano que, ao chegar a casa do trabalho, percebi que a minha intuição mais negra estava certa naquilo que tinha sido um prognóstico para lá de reservado:
O Mickey não viria esperar à porta porque o Mickey estava morto.

08 de Março de 1998

Estava no meu quarto, no andar de cima, quando o meu irmão e o meu pai chamaram por mim.
Quando espreitei, ao colo do meu pai, estava uma pequena bolinha de pelo branco, com uns olhos castanhos escuros que me olhavam com a mesma surpresa que os meus olhavam os dele.
Um caniche bebé.
Ou perto disso.
Um pequeno urso polar?
Um pedaço de algodão doce?

Ficou a chamar-se Mickey, mas também o chamei "Nuvem", "Miqueijinho Fresco", "Ovelha" e outras mariquices que dizemos quando estamos encantados.

Foram 16 anos de companheirismo que valeram cada segundo, uma amizade ímpar, uma presença simpática, um anjo de quatro patas.

Até Maio de 2014 acompanhou a maior parte dos meus anos de adulto, chegou no ano da Expo, e permaneceu em exposição permanente para lá da viragem do século, andou no meu primeiro carro, já cá estava quando nasceu o Daniel, resistiu aos dias difíceis da hospitalização do meu pai mesmo tendo perdido o apetite e a alegria no olhar, resistiu à hospitalização da minha mãe e estava de novo aqui, para me receber, quando eu próprio regressei de cinco semanas de hospital.
As nossas fraquezas humanas, a perecibilidade dos nossos corpos, antagonizava com aquilo que parecia ser a eternidade do nosso fiel companheiro.
Mas não era nada assim.

Nos dois últimos anos já o Mickey estava minado pela doença silenciosa que viria a levá-lo e a primeira metade de Maio de 2014, até ao fatídico dia 16, foi insuportável.
A segunda metade também.

As Saudades que Não Morrem

A memória jamais será apagada, mas as saudades foram mitigadas pelo tempo.
Mas ainda mexem.

Tenho saudades de o ouvir ladrar ao meio-dia, quando alguém tocava à campainha, na alegria de ir para a mesa ao jantar, porque ele bem sabia que a essa hora era quase sempre carne.

Tenho saudades de o ver de pé, patas dianteiras nas minha pernas, enquanto esperava por um naco de carne, correndo logo a seguir para outra cadeira, para mais uma porção e assim sucessivamente.

Tenho saudades de o soltar na rua, de vê-lo farejar cada canto, de quando em vez correr atrás de alguém que não gostava, de pouco ligar quando aparecia alguém de quem gostava, de ver a Princesa a passeá-lo e de tudo parecer-me perfeito, belo e desejava que o tempo parasse, como se fosse possível imortalizar aquela cena como uma fotografia, um quadro, ou aqueles globos de vidro com papelinhos dentro.

Tenho saudades de deitar a cabeça naquele pelo branco, de o ver sem ele, como uma cabrita do campo, os olhos grandes que engoliam a casa, as borrachinhas das patas, o penacho peludo da cauda, a virilidade de uma quinta pata que orgulhava os seus donos, a meiguice, as corridas desenfreadas, o modo como se torcia quando afagávamos a parte de trás do dorso, o modo como percebia que no dia a seguir viajaria de novo para o Algarve, o sofá onde se deitava e que era praticamente só dele, as perninhas em esforço quando se punha de pé na varanda para espreitar o largo, o corpo torcido como um desenho animado quando adormecia de barriga para cima, a sua bolinha de estimação que está guardada algures com as tigelinhas de água e ração e de novo a meiguice, o companheirismo, a inteligência, e mais uma vez o companheirismo.
E a meiguice.

Temos saudades tuas, Mickey.
Mas jamais te esqueceremos.

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A BALADA DE HILL STREET

sexta-feira, 15 de maio de 2015

La Bamba - Los Lobos

Corre uma teoria lá em casa que explica a extrema morenice do meu pai com origens mexicanas.
E isso talvez também explique o meu apetite por comida bem picante, em especial mexicana, chili, tacos, guacamoles, e outras que tais.
O que é que isto tem a ver com esta "Juke Box" com os Los Lobos?
Nada.

Ou quase nada.
Se é verdade que o grupo é norte-americano, também não deixa de ser verdade que as músicas tradicionais mexicanas fazem parte do seu reportório.
E esta é um clássico.

"La Bamba" fez parte da banda sonora do filme dos Anos 80 com o mesmo nome, que resumia com muita música e rambóia, a vida do cantor Ritchie Vallens, não confundir com o Richie Campbell.

Ao contrário das piores músicas pimba que ouço na rádio onde trabalho, que são um alívio para a alma quando acabam, este "La Bamba" deixa um gostinho de "quero mais" no final.
Isto porque o solo de guitarra que se ouve no final é qualquer coisa de mágico.
São 35 segundos de fervilhante dedilhar de cordas como se não houvesse amanhã.

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SHAKA ZULU

terça-feira, 5 de maio de 2015

A Troca de Revistas Disney

Uma das mais deliciosas memórias de criança diz respeito à troca de revistas Disney.
Podia ter referido o pudim Boca Doce, mas isso fica para outra altura.

Naquele tempo apareciam nas bancas novas edições Disney dia sim, dia não.
Os "Patos Donald", os "Zé Cariocas" e os "Patetas" eram quinzenais, mas ainda havia mensalmente as revistas "Mickey", "Tio Patinhas", "Edição Extra", "Almanaque Disney" e "Disney Especial".
Mais os Almanaques e números especiais.

E era ver os fedelhos pedirem à mãe para comprar aquele novo "Mickey", ou aquele "Disney Especial" que custava os olhos da cara.
As birras vinham com o "não" e os sorrisos com o "sim", mas com rombo no orçamento familiar.
Por isso mesmo trocávamos revistas.

Na verdade trocávamos colecções inteiras.
Porque era mais prático, dava mais pica e permitia aferir quem ia à frente na construção destes pequenos impérios.

Os Pequenos Impérios

Havia a colecção do Quim Paulo, do Carocha, que ele guardava na parte de baixo de uma mesa de cabeceira do quarto, do Nelson, que juntava as revistas na marquise, do Rui Pedro ou do Sertório, entre tantas outras.

A do Rui Pedro foi mesmo responsável pela célebre "Intifada na Vivenda Sousa".
Aconteceu que ele não devolveu grande parte da minha colecção, com mil e uma justificações que jamais seriam aceites em tribunal.
Então, um dia, com a ajuda de outro maluco, bombardeei o telhado da casa dele com pedras da calçada.
Não correu bem.
Mas essa também é outra história que fica para depois.

Já a colecção do Sertório, era um misto Disney e Marvel que viajou comigo para umas férias no centro do país, em Pinheiro de Ázere, uma terreola entre Coimbra e Viseu no Portugal profundo.
Que belos momentos passei nesse Verão, a ler aventuras aos quadradinhos enquanto o tempo passava indolentemente, os passarinhos cantavam e no ar sentia-se o perfume do pinho e da alfazema!

As colecções emprestadas eram colocadas no chão, junto à minha cama, com as mais fininhas em cima, e os volumes com mais páginas eram deixados para o final, como espécie de cereja em baixo do bolo.

E à conta disto tudo, estudar ficava sempre para depois, mas éramos felizes com pouco e essa é a mensagem que fica:
Procurar um lampejo de felicidade nas pequenas coisas da vida.
O marido da Maria Vieira sabe do que estou a falar.

domingo, 3 de maio de 2015

Citroën Dyane

Nos anos 70 eram comuns anúncios publicitários que utilizavam animação.
Não aquela animação de gente a gritar enquanto bebe gin e cerveja e mergulha na piscina, mas sim aquela animação que o Vasco Granja apresentava oriunda da Hungria, da Roménia e da Transilvânia.

Este anúncio, da Citroën Dyane, será do início dos anos 70, não sei bem.
Se ainda não o expliquei aqui, explico agora que nesta primeira fase do blog, o objectivo passa quase unicamente pela compilação de conteúdos que fizeram sucesso nos anos 70, 80 e 90, numa abordagem que se pretende bem humorada, sem grandes preocupações de pesquisa.
Mais à frente (a avaliar pelo caderno de apontamentos nostálgicos, será daqui por dois ou três anos...) o "Pretérito Perfeito" terá um tratamento informativo mais rigoroso.
Sem perder as piadas parvas.

Voltando ao anúncio que divertia toda a família, ainda muitos sabem de cor aquelas frase míticas como "gasolina não precisa" ou "e eu a vê-los passar" que significam duas coisas:

Primeiro, a mensagem passou e eternizou-se, prova mais que superada no que diz respeito à notoriedade da marca.

Segundo, a ideia base que pressupunha um veículo económico corresponde efecctivamente à verdade, ou não tivesse sido eu o dono de um Citroën durante 10 anos.
Houve uma longa viagem por estrada a terras de Espanha que percorreu grande parte da Extremadura e da Andaluzia, feita com dois amigos e gasolina a rachar por três, que ficou ao preço de um quilo de azeitonas.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Selva de Pedra

Para além do genérico de abertura, a memória não conseguiu reter muito mais desta novela da Globo, produzida em 1986, emitida em Portugal no ano seguinte.

A abertura levava uma vez mais o selo de qualidade do mago das vinhetas Hans Donner e podia ver-se a cara de alguns dos actores em vidros espelhados em prédios que brotavam do chão.
Curiosamente a trama da novela assentou residência no Rio de Janeiro; pensava que a "selva" era S. Paulo.

Quando fui para Lisboa estudar, uns anitos depois, ainda me lembrava do termo "selva de pedra" e deambulava pela capital portuguesa como se desbravasse Nova Iorque de mochila às costas.
E o imaginário saía beneficiado com a mochila tipo Indiana Jones que levava às costas.
Que saudades dessa mochila creme com bolsas castanhas!

Bem, quanto à novela, tinha no elenco o hirsuto e talentoso Tony Ramos, José Mayer, Miguel Falabella, Fernanda Torres, Christiane Torloni, Maria Zilda e muitos outros.
Foi um remake da novela de 1972, então no tempo do preto e branco.

A história tem o habitual triângulo amoroso, os ricos e os pobre, actrizes bonitinhas e actores competentes, mas em Portugal não deixou grandes saudades, lá está, ressalvando o imaginativo genérico de abertura.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

California Girls - Beach Boys

Aqueles que bem me conhecem sabem que adoro ir à praia, que o meu cabelo é longo e louro, queimado pelo sol, e que a minha onda é cavalgar uma.
Onda.

E assim sendo, e como também todos assemelham este Abril chuvoso a um mês de Verão, temos hoje na "Juke Box" o "California Girls", dos Beach Boys, os rapazes da praia, ou os rapazes-cabra, depende da vossa pronúncia anglo-saxónica.

O mega-hit "California Girls" é de 1965.
E os Beach Boys aproveitavam para enaltecer ainda e sempre as praias da Califórnia, o sol, o sal, as ondas, o mar, o surf, a areia e as babes.
Muito daquilo que foi o dia-a-dia do Zezé Camarinha, quando ele punha o cream nas camones.

Este tema foi considerado como sendo emblemático do chamado "California Sound".
E classificado como a 71ª melhor música de sempre da revista "Rolling Stone", numa lista de 500.

Tenho em casa uma colectânea dos Beach Boys que foi das melhores coisinhas que comprei.
Isso e umas pantufas aos quadrados.

Ora, esse cêdêzinho já serviu de banda sonora para o prelúdio do que viria a ser a mais bela história de amor da minha vida.
Ela não se lembra.
Eu não me esqueço.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O Cavalo de Ferro

Nasci, cresci, tenho vivido e provavelmente vou morrer numa terra de ferroviários.
Podia ser pior.

Também o Pinhal Novo nasceu e tem crescido à volta daquelas linhas de ferro que dividem a vila ao meio.
Eu vivo no lado norte, onde estão todos os espaços nobres, como os jardins, os bancos, a igreja, o Costa Bar, a Biblioteca... noblesse oblige.
No lado sul ficam os cemitérios.
Acho que deu para perceber o meu ponto de vista.

Como todos os petizes já fiz trinta por uma linha, mas esta foto mostra que também era uma criança bem comportada.
Ainda que com traços andróginos e com calções de trapezista do Circo Chen.

Esta foto (e o comboio que nela aparece) já antes foi publicada no blog "Máquina do Tempo" e motivou até pedidos de informação de entusiastas por aquele tipo de máquinas tchuca tchuca.
Chegaram a identificar a coisa com o nome técnico correcto, mas agora não me apetece ir à procura no arquivo de e-mail, por isso chamemos-lhe "comboio".

As melhores histórias deste vosso amigo, relacionadas com comboios, aconteceram na adolescência.
Não, não é isso que estão a pensar.

A nova estação e as passagens subterrâneas só apareceram neste século.
Antes disso passava-se por cima dos comboios que ficavam por ali.
Mesmo carregados com compras da Cooperativa.

E se não houvesse comboios, havia sempre o aliciante de ficar com um pé entalado quando as agulhas mudavam as linhas.
Uma vez fiquei com ele entalado (o pé!!) e ao longe ouvia-se o comboio a aproximar-se.
Deixei lá o ténis e afastei-me.
Depois voltei para ir buscar o que restava dele.

Brincar aos Comboios nos Tempos da Faculdade

Mas os episódios mais rocambolescos com comboios aconteceram nos tempos da faculdade.
Não, continua a não ser isso que estão a pensar.

Como sempre fui mau de horários, era usual ir a correr para o comboio e só apanhá-lo à justa ou mesmo com ele já em andamento.
Ajudava que houvesse degraus e uma espécie de varão, uma pega metálica, que ajudava a subir.

Uma vez o comboio já ganhava velocidade, mas eu tinha decidido que ia na mesma apanhá-lo.
Voei para os degraus e para o varão e, com a deslocação, fui bater com as costas na parede do comboio - sempre agarrado à pasta - e tal qual um desenho animado, voltei aos degraus, tendo depois entrado como se nada tivesse acontecido, mas com uma dor no braço e nas costas como se fosse o Corcunda de Notre Dame após um AVC.

"Melhor", entre aspas, fez o Nelson.
Numa das vezes que apanhou o comboio já em andamento, reparou que a porta estava trancada.
Ainda bateu, mas ninguém o ouviu.
Resultado: Foi ali pendurado até à estação seguinte.
Cinco minutos ao frio.
Seis e tal da manhã em pleno Inverno.

Não sei o que seria do Pinhal Novo sem comboios.
Há alguns anos que voltei a recorrer a este meio de transporte para chegar ao trabalho, desde que perdi o meu carro num acidente pateta.
Mas como aqui só se fala do "Pretérito Perfeito" isso agora não interessa nada.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Tieta

Outra rubrica em estreia no "Pretérito Perfeito", esta "Novelas do Brasil" com as melhores... novelas do Brasil.
Aposto como não estavam à espera desta.

"Tieta", baseada no romance do consagrado Jorge Amado chegou a Portugal em 1990.
O fim dos Anos 80 coincidiam como fim da minha adolescência, com o fim da Secundária e com o início de uma líbido cada vez mais activa.
Nesse sentido, "Tieta", o seu genérico, as suas personagens sensuais e libertinas, os diálogos marotos, as morenas de pernas torneadas e as dunas como divãs chegou no tempo certo.

A novela de Aguinaldo Silva é considerada por muitos, como a melhor do Brasil.
Para mim está sem dúvidas no top 5, por tudo o que escrevi acima e em especial pela sua riquíssima gama de personagens:
"Tieta", representada pela madura e sensual Betty Faria, "Osnar", o apaixonado de "Tieta" a cargo de um então jovem José Mayer, a viúva "Perpétua" numa magistral interpretação de Joana Fomm, o cómico "Modesto" do falecido Armando Bógus, que dizia para a bela Luíza Tomé "uh-uh, Carol senta aqui" e o "aqui" era o seu (o dele) colo e muitos, muito mais.

Uma rápida sinopse depois de um "copy/paste" da "Wikipédia":

"Vinte e cinco anos depois, Tieta reaparece em Santana do Agreste, rica e exuberante, decidida a se vingar da família. No dia em que chega na cidade, está sendo rezada uma missa em sua memória e Tieta interrompe a celebração, desfazendo o mal entendido. Agora, cortejada por todos, Tieta percebe que nada mudou em Santana do Agreste e que todos continuam hipócritas. A presença da ousada Tieta acaba mudando a rotina dos moradores da cidade".

No elenco, destaque-se ainda a presença da bela Lídia Brondi, uma das actrizes brasileiras por quem mais suspirei nos Anos 80 e claro, a bomba sexy que aparecia "nua, lua cheia de tesão" na mítica abertura do mago Hans Donner:
A modelo Isadora Ribeiro - que mais tarde foi companheira de Hans, e que depois também foi actriz - funcionou na novela como a dentadinha na maçã, o pecado original.

Os homens babavam a abertura e depois viam a novela com as esposas.
A parvoíce bárbara da violência doméstica nesses tempos dava-se apenas quando o Benfica perdia.

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O HOMEM AUTOMÁTICO

The Air That I Breathe - The Hollies

Estreia da rubrica "Juke Box", com este tema clássico dos The Hollies.
E clássicos não vão faltar nas próximas semanas, numa viagem para lá dos Anos 80, até aos 70's, 60's ou mesmo até antes disso, quando os nossos avós eram só os netos dos nossos trisavós.
Agora fiquei tonto.

Não consigo deixar de pensar que todas estas músicas mais melódico-hipnóticas tresandavam a substâncias psicotrópicas e daí começar a sentir-me pedrado.
Aliás basta assistir às primeiras imagens (desfocadas) deste videoclip e ver o estado sonolento do vocalista Allan Clarke, ou pior ainda a carantonha que faz o senhor que aparece ao 01:56 para a teoria ganhar lastro, mas vamos em frente.

"The Hollies" foi um grupo formado nos Estados Unidos nos primeiros anos da década de 60 que chegou a ficar só atrás dos Beatles na corrida ao sucesso.
E para dizer a verdade, se os Beatles eram de Liverpool, alguns dos membros dos Hollies eram originários de Manchester.

Em 2010 ganharam a sua estrela no Passeio da Fama e ainda tocam em festivais mais nostálgicos, embora apenas como dueto.

Este "The Air That I Breathe" é de 1969.
Desfrutemos enquanto a moca perdura.

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O MENINO DOUTOR

Bic Laranja e Bic Cristal

Houve um tempo em que se fazia Bic's à fartazana sem o menor indício de panasquice.
Era de facto normal, que um certo patrão da célebre empresa francesa de material para escritório, brindes e afins, chegasse perto de um empregado e pedisse convicto "faz-me um Bic", a que ele responderia "com todo o gosto".

Fazer um, isto é, fazer uma Bic, era fazer história.
E ficou célebre o anúncio em que as duas versões Bic, a laranja e a cristal, dançavam no pequeno ecran durante uns curtos mas inesquecíveis 20 segundos.

A Bic laranja, a da escrita fina, não era muito popular.
Quase todos usavam a Bic cristal, da escrita normal, que também servia para guardar cábulas ou projécteis de papel que ainda aleijavam quando acertavam numa nuca mais incauta.

Hoje as minhas canetas de eleição são as Uni-ball da Signo, que permitem uma escrita mais fluida, livre, diria até erótica, que Deus Nosso Senhor Todo Poderoso Pai de Todas as Coisas me perdoe.

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SARILHOS COM ELAS

Dance With Me - Alphaville

Os Alphaville eram aquele grupo com música muita gira, com um vocalista muito feio.
Ou vice-versa, depende dos gostos.

Os maiores êxitos foram o "Forever Young", lema de vida do Manoel de Oliveira, ou "Big in Japan", mas ainda houve um par de outros singles que foram sucesso na altura e que hoje são Sucessos Esquecidos.
Daí que este seja um dos raros grupos que vão passar duas vezes por esta rubrica.

Este "Dance With Me" é de 1986, ano de Mundial de Futebol no México.

Fala da possibilidade de se esquecer tudo quando dançamos com alguém que amamos, como se entrássemos noutra dimensão, como se fizéssemos parte de um sonho, enfim, mais uma aula de danças de salão nos Alunos de Apolo depois de uma noite de copos.

É uma música cheia de sintetizadores como foi regra de ouro nos Anos 80 e é um videoclip com muitas permanentes e caras maquilhadas como também era usual naqueles tempos.
Eu só nunca cheguei a usar rimel e um pouco de blush nas bochechas sarapintadas porque era caro.
Preferia comprar o jornal desportivo do dia.
Enfim, escolhas.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

A Abelha Maia

A Abelha Maia fez 40 anos, ontem, dia 01 de Abril.
Até parece mentira.

A animação alemã chegou à RTP em 1978, embalada nas vozes cristalinas da Ágata (então Fernanda Sousa) e Tozé Brito (então Tozé Brito) e foi desde logo um sucesso.
Miúdos e graúdos sentavam-se frente ao televisor para assistir às aventuras de uma das louras mais desejadas nos anos 70, a par da Farrah Fawcett.

Nesse tempo ainda a Abelha Maia não tinha sido sodomizada pelo Calimero e não consta que tivesse um caso com o gafanhoto "Flip", de quem recebia muitos conselhos.
Um parêntesis para lembrar que o "Flip" tinha como voz em Portugal o mítico Canto e Castro, um vozeirão que ainda animou muitos desenhos... animados.

No início deste ano, "A Abelha Maia" chegou ao cinema e público e crítica até foram benevolentes com a quarentona, mas é a memória de infância que prevalece quando falamos das aventuras destes simpáticos insectos "lá num país cheio de cor".

quarta-feira, 1 de abril de 2015

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SAMANTHA FOX

Aventuras no Jardim Zoológico de Lisboa

Jamais houve um dia de visita ao Jardim Zoológico de Lisboa que não tenha sido um dia feliz.
Não que goste de ver animais enjaulados mas porque me sinto livre de cada vez que lá vou.

Graças a um dos grandes amigos dos tempos de universidade, regressei lá há quatro, cinco anos, gratuitamente.
E por isso estou em dívida e de que maneira.
Porque poder visitar tantos e tão belos animais, mais para mais na companhia da Princesa, não tem preço.

Mas viajemos no tempo até aos estranhos anos 70.

Não ficava barata uma ida com a família ao zoo e no nosso caso éramos quatro.
De qualquer forma sabíamos que valeria sempre a pena o esforço, até porque era (ainda é) um dia em cheio.

Não sei se íamos de carro ou se recorríamos a outro meio de transporte, mas o importante é que chegávamos lá; e lá chegados, uma das primeiras necessidades era saber se havia lugar no parque de merendas, que ficava lá em cima, para almoçar o farnel.
De facto, não havia uma zona de restauração tão abrangente como a de hoje, mas ninguém dizia que não a umas buchas com chouriço, uns sumos, umas peças de fruta, se bem que o prato principal eram os elefantes, as girafas, os leões ou os macacos.
Nunca comi esse género de bicheza, não façam confusão.

Se tivesse que fazer um top com os animais que mais desejávamos ver, as quatro espécies descritas ali em cima fariam parte, concerteza.

Habilidades Animais

As girafas porque eram mais altas que a minha vizinha do rés do chão e porque queria ver se aquelas manchas eram mesmo sinal de problemas de fígado...

Os leões porque eram majestosos, altivos e confiantes, características que, infelizmente, pouco ou nada usam quando vestem de verde e branco.
E também pelo respeito que impunham.
Corria sempre um outro rumor que uma criancinha tinha caído lá em baixo e...

Os macacos porque viviam numa Aldeia onde não faltava a padaria, os cafés e tudo o mais, e porque insistiam em comportamentos que estavam mais do que interditos lá em casa:
Mandar restos de comida e de fezes às visitas e a masturbação em ritmo disco...

E os elefantes porque recebiam uma moedinha e em troca tocavam um sininho, ou então, quando ouviam determinado número de palmas, levantavam a tromba e imitavam os sons que ouvíamos na Assembleia da República.

Talvez acrescentasse os tigres, os ursos, os hipopótamos ou o reptilário.
Mas raramente visitávamos este último porque requeria nova aquisição de bilhetes e eu também não fazia grande questão porque saía de lá sempre acagaçado.

Nesse tempo, já o velho comboio serpenteava pelas colinas do zoo, sempre apinhado de gente doida e feliz.
Para atingir esse estado nirvânico, lá se largavam mais uns escudos.
E o mesmo se queríamos levar aquelas fotografias que procuravam a todo o custo impingir à entrada.

Hoje, compreendendo que se possa considerar um bilhete caro, nunca será demais ressalvar que a entrada inclui o tal passeio de comboio, o reptilário, a alimentação de aves, e salvo erro também o teleférico e as exibições das focas e golfinhos.
E se é assim, tenho mesmo que lá voltar em breve, quiçá recorrendo desta vez à promoção de pontos da BP, passe a publicidade.

Nunca se deve voltar ao lugar onde fomos feliz?
Treta.


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MICHELLE PFEIFFER